Coluna Caio Gottlieb: OUVIDOS MOUCOS

Quem acreditou que o ministro da Infraestrutura Tarcísio de Freitas chegaria a Cascavel na última quinta-feira trazendo um presente de Páscoa para as lideranças empresariais e políticas que o aguardavam para uma conversa frente a frente sobre o formato das novas concessões de rodovias federais no Paraná, caiu no 1º de abril.

Era mentirinha.

Aliás, nem conversa houve.

O encontro serviu apenas para que os dois lados ratificassem suas posições.

Sem dar sinal de que poderá vir a mudar de ideia, Tarcísio sustentou enfaticamente sua proposta chamada de híbrida, que prevê outorga onerosa, degrau tarifário e limitação no desconto do pedágio.

Por seu turno, ao fazerem uso da palavra, líderes do setor produtivo do estado e dirigentes de algumas das principais companhias do agronegócio regional expuseram ao ministro sua objeção total à fórmula apresentada, expondo os prejuízos bilionários que no médio e longo prazo ela imporá à economia estadual, e voltaram a defender vigorosamente que os leilões para a entrega das estradas à gestão privada sejam definidos exclusivamente pela oferta da menor tarifa de pedágio, livre de qualquer teto.

Resumindo, a reunião terminou do mesmo jeito como começou.

E para ninguém dizer que ele não cedeu em nada, Tarcísio aventou a possibilidade de excluir do edital de licitação a praça de pedágio prevista entre Cascavel e Toledo, que tem provocado muitos protestos, e solicitou, num gesto de mera cortesia, que os estudos elaborados pelas entidades empresariais paranaenses sejam formalizados e encaminhados a Brasília para uma análise mais detalhada.

Diante da quase certeza de que o diálogo com o ministro não vai prosperar, as lideranças que encabeçam a luta já se preparam para gastar o último cartucho: levar o pleito, mais uma vez, ao presidente Jair Bolsonaro, que, é bom lembrar, em sua visita à cidade semanas atrás recebeu dois documentos a respeito do assunto, mas, pelo visto, ainda não se mostrou sensibilizado a atender aos apelos.

Seja como for, a esperança sempre é a última que morre.

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